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EM BREVE

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Conflitos

Do espelho embaçado, pensamentos perturbados, lágrimas secadas, marcas de guerra, um buraco enorme. Perguntas sem respostas, um broto de sorriso falso, unhas mastigadas como chicletes. A solidão de um quarto deserto, ainda esperando as respostas das perguntas. Ilusões de sonhos sonhados acordados. Amores inexistentes, braços cruzados, cabeça baixa. Grita, não, não grita. Respire. Espere o vento soprar, espere você chegar. Não, calma, não esta noite, quem sabe amanhã.
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Um feliz dia dos pais em 1943

Três amigos, dois meninos e uma menina estavam sentados numa porteira de cimento. Ambos colocaram suas bicicletas enferrujadas em cima das folhas laranja do Outono.

- Schweine, ja sie sind Schweine! – Disse o mais gorducho dos três.

- Quem são porcos? – Disse um loiro de boca carnuda

- Os nazistas. Nojentos.

- Não repita isso – Disse o menino loiro o empurrando. Ele olhou para os lados de luzes da rua e sussurrou nas orelhas imundas do gorducho – Eles podem te ouvir

- Que se dane! São porcos. – Ele se sentou no lado da menina.

Ela colocou suas unhas pretas de sujeira em cima do ombro do rapaz.

- Meus pais falaram que esses nazistas vão ter o que merecem. Vão por mim, vão morrer um por um.

- Cala boca seu desgraçado, vai sobrar para gente!

- Mais você não concorda?

O loiro abaixou a cabeça e tirou seu chapéu cinza da cabeça

- Sim

Os três abaixaram a cabeça. Olhando para o chão de cimento naquela rua vazia, aonde um dia já foi movimentada.

- Katja – Disse o loiro. – Você não disse alguma palavra desde que saímos da escola

- Problemas... – Disse ela engolindo saliva – Problemas na casa.

- Que tipo de problemas?

- Brigas e brigas constantes com meu pai.

O gorducho levantou a cabeça e abriu aquela boca aonde só saia sujeira.

- Brigas com seu pai? Katja, não... – Disse ele – Você não pode brigar com seu pai.

Ela se levantou

- Vocês não entendem – Ela aumentou a voz – Eu tenho vergonha dele

O loiro jogou o chapéu no chão

- Ficou louca sua idiota? Não pode, você não deve. – Ela enrugou sua cara como papel e fez sair uma lágrima daqueles olhos azuis. O loiro abaixou o tom de voz e perguntou novamente:

- Qual é o motivo de tanta vergonha?

- Meu pai – Ela olhou para o gorducho – Ele é nazista.

Autoria: Beatriz Urie

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Espero segurar suas mãos para sempre

Ela não enxugava as lágrimas quentes com o lenço, ela o apertava em seus olhos. Nunca a tinha visto desse jeito. Logo depois foi o travesseiro, ela o apertava em sua parte tórax. Ela precisava muito da minha ajuda. Mais de quando ela ficou reprovada em uma prova de literatura. E eu também queria disser alguma coisa, ah vendo chorando me angustiava e dava nó na minha língua, arranhava tanto que parecia que sangrava. Só tinha que ter cuidado com as palavras, se fosse muito verdadeira iria só piorar a situação. Segurei na sua mão suada, olhei bem para seus olhos inchados e castanhos e falei com a suavidade mais possível (ou a qual saiu da minha boca automaticamente).

- Bem... Ele nunca te amou.

Autoria: Beatriz Urie

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Nos meados da noite

As palavras pareciam ficar presas no meu dente. Mesmo sabendo que era errado eu continuei sentada no cimento sujo e gelado no meados da noite. Era completamente desagradável, desde quando alguém senta em um lugar obscuro no meio do nada como aquele lugar? A verdade é que eu sabia que ele não voltaria, não tão rápido. O que eu sentia no momento era meu sangue se espalhando pelo cimento e por lá secar. Talvez eu tivesse razão, ele não iria voltar, não naquela noite, não naquele lugar, não naquela hora. Encarei os fatos, errei com ele e acabei com tudo o que para mim significava felicidade.

Autoria: Beatriz Urie

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